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Flávio Maluf e os 48 mil hectares que sustentam a cadeia produtiva da Eucatex

Dezesseis anos antes do Brasil assinar o Acordo de Paris, a Eucatex já possuía certificação FSC para suas florestas. O ano era 1996. Flávio Maluf assumiria a presidência da empresa no ano seguinte, mas a decisão de buscar essa certificação antecipou o tipo de gestão florestal que aprofundaria nas décadas seguintes.

Três décadas de floresta própria

A Eucatex mantém aproximadamente 48 mil hectares de florestas próprias no estado de São Paulo. Essa base florestal é o alicerce direto do negócio. Os painéis MDF e MDP, os pisos laminados, as divisórias e as portas que a empresa fabrica em suas unidades de Salto, Botucatu e Cabo de Santo Agostinho dependem diretamente do abastecimento dessa madeira. Gerir a floresta com precisão é, portanto, garantir a continuidade da produção.

A certificação FSC, mantida desde 1996, garante que essa gestão atenda a padrões auditáveis de responsabilidade social, ambiental e econômica. Para a Eucatex, a certificação não foi consequência de pressão regulatória. Precedeu qualquer obrigação legal e funcionou, por anos, como um diferencial competitivo nos mercados exportadores, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, onde a rastreabilidade da cadeia produtiva é uma exigência corrente dos importadores.

A capacidade de produzir 13 milhões de mudas por ano

O programa de melhoramento genético do eucalipto é um dos ativos menos visíveis da Eucatex e um dos mais relevantes para a competitividade florestal da empresa. A empresa produz 13 milhões de mudas clonais por ano, clones selecionados por desempenho, resistência e velocidade de crescimento, o que a posiciona entre as empresas com o maior incremento médio anual do setor no Brasil.

O incremento médio anual, ou IMA, mede o volume de madeira que uma floresta produz por hectare por ano. Um IMA alto reduz o ciclo de corte, diminui a pressão sobre a área plantada e melhora a relação entre o custo de produção e o volume disponível. Para uma empresa que depende da madeira como insumo primário, esse indicador tem peso direto no resultado industrial.

Flávio Maluf acompanha essa operação com a regularidade de um gestor industrial. A floresta, nessa lógica, é uma linha de produção sujeita a planejamento, monitoramento e melhoria contínua, com ciclos mais longos do que os de uma linha de painéis, mas com a mesma exigência de eficiência.

Reciclagem de madeira e o programa de 300 parceiros

A gestão florestal da Eucatex inclui uma frente que não depende das florestas próprias: o programa de reciclagem de resíduos de madeira. A empresa aceita paletes, caixarias, pontaletes e pedaços de madeira descartados por terceiros. Sem essa destinação, esse material iria para aterros ou seria queimado sem aproveitamento energético.

A rede de fornecimento desse resíduo envolve mais de 300 parceiros cadastrados. O volume recolhido alimenta parte do processo produtivo da empresa, reduzindo a pressão sobre as florestas próprias e convertendo um problema logístico de terceiros em um insumo industrial. É uma cadeia que tem início no descarte alheio e termina na linha de fabricação. Parte desse resíduo é convertida em biomassa, integrando a matriz de energia renovável que já responde por metade do consumo de energia elétrica das plantas industriais.

Esse programa tem uma delimitação técnica precisa: a Eucatex recebe exclusivamente resíduos de madeira. Não há recebimento de entulho de construção civil com concreto ou outros materiais mistos. A separação rigorosa é operacional, não apenas declaratória. O material contaminado compromete o processo industrial a jusante.

Educação ambiental como parte da operação

Em 1999, a Eucatex implantou o Programa de Educação Ambiental. A iniciativa, vigente há mais de duas décadas, dirige-se às comunidades próximas às operações da empresa e aos trabalhadores das plantas industriais. Ela integra o modelo de gestão que Flávio Maluf consolidou ao longo de sua presidência, com base em uma premissa objetiva: uma empresa que depende de recursos florestais para operar tem interesse direto na preservação do entorno e na formação de uma cultura de uso responsável.

O programa existe porque a sustentabilidade de longo prazo de uma base florestal dessa escala também depende do comportamento das populações que vivem próximas a ela. A Eucatex opera em municípios do interior paulista onde a presença industrial e o uso do solo se sobrepõem. Nesse contexto, o relacionamento com as comunidades vizinhas é parte da operação. Atividade econômica e responsabilidade ambiental, nesse modelo, integram o mesmo sistema de gestão.

O que a certificação FSC revela sobre o modelo de negócio

A certificação FSC é, na prática, uma auditoria permanente. Para mantê-la desde 1996, a Eucatex passou por revisões regulares que avaliam não apenas o manejo florestal, mas também as relações com os trabalhadores, a gestão dos impactos ambientais e o respeito às comunidades locais. Manter esse padrão ao longo de quase trinta anos exige consistência operacional.

Flávio Maluf preside a Eucatex desde 1997. A sobreposição entre sua gestão e o período de manutenção da certificação FSC reflete uma orientação estratégica que vinculou crescimento industrial a práticas florestais verificáveis. Com receita de R$ 3,1 bilhões em 2025 e exportações para mais de 40 países, a empresa demonstra que crescimento e critérios ambientais caminham na mesma direção.

O capex previsto para 2026, de aproximadamente R$ 500 milhões, destina parte desses recursos à expansão florestal. A base produtiva deverá crescer ao mesmo tempo em que os padrões de certificação se mantiverem.

Os 48 mil hectares de florestas próprias no estado de São Paulo são, nesse contexto, mais do que uma reserva de matéria-prima. São a evidência mais concreta de que o modelo produz resultado.

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